Ontem no Twitter o Rodrigo sugeriu um “podcast definitivo sobre jailbreak” e eu respondi que essa é uma questão totalmente pessoal e, portanto, não há como chegar a uma conclusão definitiva que sirva para todos. E o curioso é que em realidade jailbreak é algo muito mais antigo que o próprio iPhone. Há anos, na minha época de Palm III, já existia um aplicativo chamado HackMaster que tinha como única finalidade explorar áreas do Palm OS “não autorizadas” pela Palm.
Naquela época usei muito o HackMaster para fazer coisas que a Palm não me “deixava” fazer. Eu e muitas pessoas tínhamos alguns problemas com os chamados Hacks que a Palm condenava exatamente como a Apple condena hoje o jailbreak, mas as possibilidades eram tão interessantes que continuávamos usando. Depois de um tempo cansei daquilo pois o Palm sempre foi uma importante ferramenta de trabalho e ter problemas com Hacks não é algo agradável de administrar quando você precisa de uma informação importante que está presa num PDA que não funciona.
Ouvindo as constantes opiniões dos que usam o jailbreak, sempre lembro dos Hacks que eu usava no Palm e como eles aprimoravam o sistema operacional, apesar dos soluços aqui e ali. E cabe aqui também lembrar que depois de um determinado tempo algo interessante acontece, os modelos de Palm e seus processadores evoluíram e o Palm OS adotou vários dos recursos que existiam em forma de Hacks. Não lhes parece exatamente o que tem acontecido com o iPhone OS num rítimo lento, porém constante?
Hoje a comunidade Palm usa os chamados patches nos equipamentos webOS para também fazer coisas que a Palm não disponibilizou nativamente no sistema operacional. Usuários de Windows, Windows Mobile, Linux e até mesmo Mac OS têm também há tempos utilizado recursos, digamos, alternativos, para conseguir fazer coisas, digamos, diferentes em seus equipamentos e sistemas. Portanto, volto a dizer que o jailbreak enquanto conceito é muito mais antigo que o iPhone.
Não quero aqui entrar no mérito legal e discutir se realmente a Apple tem razão ao “proibir” o jailbreak. Isso tem sido insistentemente discutido dentro e fora dos tribunais nos Estados Unidos e eles que se entendam. Minha opinião aqui é de usuário final. O fato é que na atual fase da minha vida abarrotada de atividades, a última coisa que quero é ter que me preocupar se posso ou não atualizar o meu iPhone quando uma mensagem aparecer no iTunes dizendo que há uma versão mais nova do sistema operacional. Em realidade comprei e uso o Mac justamente para não me preocupar com coisas e detalhes dessa natureza. É mais ou menos como li num artigo em certa ocasião. Um advogado dizia que havia equipado seu escritório com Macs pelo simples fato deles funcionarem, pois segundo ele era como ligar e desligar uma lâmpada. Ele dizia: “você aperta o interruptor, espera que a lâmpada vá ligar e ela liga!” É por isso eu não quero fazer o jailbreak. Quero ligar o interruptor do meu iPhone e de tudo mais que eu comprar da Apple sem me preocupar com nada. Não quero mais dor de cabeça do que já tenho com tantas outras coisas.
Sobre todas as outras questões polêmicas de maior consumo de bateria e similares, não posso falar com propriedade pois nunca usei um iPhone com jailbreak. O que eu posso utilizar para analisar a situação é a lógica, bom-senso e matemática. Se dois ou mais programas ficam rodando em paralelo, imagino que a bateria será mais exigida. Se dois ou mais programas rodam em paralelo e em conjunto com outros que não estavam prevendo tal interação, problemas podem ocorrer.
Porém, não fazer o jailbreak não isenta ninguém de problemas. O iPhone e outros produtos da Apple são máquinas sujeitas a imperfeições como quaisquer outras. Na minha última viagem, por exemplo, meu iPhone simplesmente não mostrava mais minha lista de músicas depois de determinados dias. Pesquisando depois, percebi que isso é um problema até relativamente comum, mesmo em equipamentos como o meu iPhone que é totalmente virgem. Não fiz jailbreak e nem fiz o desbloqueio para usar em outra operadora. Está comigo do jeito que veio ao mundo e mesmo assim apresentou problemas!
A única diferença é que no final do dia (viagem, no meu caso), posso colocar ele na base, sincronizar com o Mac e ter a certeza que tudo voltará ao normal. E se não voltar, apelo para a garantia e fim de conversa.